2006-04-15

Complètement Sien

Se eu faltava viver/entender alguma dessas frases sobre o amor que só as pessoas que não entendem dizem e repetem, eu entendi no instante em que vi o sorriso de Rebeca. Pra se ter uma idéia: sabe aqueles calafrios que dão na espinha de repente e que dissipam-se num tremor desajeitado da cabeça? É provado agora, cientificamente, que isso só acontece se, em algum lugar do mundo, Rebeca sorri.

Foi descoberto também, mas pela Física, que não existe tempo. Pela História, que não existem grandes acontecimentos. Isso tudo é só um pretexto para chegar ao instante em que ela sorri. E unicamente nesse [único] grande acontecimento, o tempo é sentido, mas apenas para sentirmos o limite de sua fruição.

O mundo se condensa, se transforma, exclusivamente a partir do humor de Rebeca e da iminência de seu sorriso: tudo é "ela vai sorrir" ou "ela sorriu". E quando ela sorri, ah! Quando ela sorri! Quando ela sorri, os átomos ao seu redor seguem o compasso da música que seus lábios tocam ao esticar e pincelam-se com demora das cores mais quentes, partindo de um louro pálido em busca das brasas de um cálido escarlate. O sorriso dela desperta-se na Salsa mais insinuante e encerra-se no Sinatra mais lânguido.

Depois desse sorriso, meu amigo, até bichinho de Scrapbook se parece com ela e me faz chorar.